terça-feira, abril 01, 2014

Do ocidente ao oriente: Uma visão rápida sobre quadrinhos.

Uma explosão com enorme impacto social, principalmente nas décadas de 50, 60 e 70, afetando uma juventude perdida em ilusões vazias marcadas pela guerra do Vietnã, pelos constantes protestos clamando pela tão requerida liberdade de expressão, pela igualdade entre classes, sexos, raças e pela reivindicação de direitos em um mundo no qual o melhor jeito de viver nele era isolar-se no seu mundo fictício.

Esse parágrafo exacerbado pra falar de coisas simples como quadrinhos. Parece mentira, mas os quadrinhos realmente tiveram um grande impacto na metade do século XX, assim como a música. Histórias de ficção científica e HQs já existiam muito antes desta febre, basicamente desde os anos 30, e antes das HQs (ou paralelo a elas, variando com a época), foram transmitidas diversas séries por rádio, como por exemplo, a série radiofônica do Super-Homem que foi de 1940 a 1951.


Mas mesmo com os códigos de ética impostos pelo governo, e com a queda de histórias originais, cada vez mais as HQs foram se tornando cult entre os jovens, e cada vez mais notava-se que elas poderiam servir como um porta voz de grande alcance, normalmente abordando temas como drogas, preconceito, violência e tantos outros do cotidiano, o que dava um toque muito mais denso a publicação.

Os quadrinhos resistiram a um teste do tempo incrível, e isso acabou forçando produtores e editores a reformular histórias e sagas inteiras que acabaram por ficar batidas ou com datas incompatíveis, a exemplo do Batman que hoje deveria ter uns 90 anos, ou o Homem de Ferro, que teve seu coração atingido por estilhaços de granada durante a guerra do Vietnã. Hoje a história dele é contada a partir da Guerra do Golfo.

Como não foram só as produtoras ocidentais que obtiveram lucro em cima disso, as editoras do outro lado do planeta também faziam sua parte. Os mangás, assim chamados, também não são recentes, mas começaram a atingir uma proximidade com a do formato atual com a passagem da primeira série televisiva animada japonesa, que foi criada em 1963, "Astro Boy" para o formato mangá.

Criada por Osamu Tezuka, a série foi um sucesso de audiência nipônico e inspirou vários outros mangakás (desenhistas de mangá). Certamente, caso Astro Boy  não tivesse sido transmitido, ou o mangá em si não tivesse sido publicado, dificilmente poderíamos atestar que existiriam Cavaleiros Do Zodíaco, Shurato, Naruto, Dragon Ball, Bleach, Fairy Tail, One Piece, e outros animes ou mangás de tanto sucesso. Digo difícilmente, pois as séries "Tokusatsu" eram audiência garantida no Japão e talvez o formato antigo dos mangás poderia se adaptar a estas séries, já que as HQs tinham grande fama já naquela época. Google Five, Jaspion, Jiraya, Jiban, Spectreman, e Power Rangers são exemplos de Tokusatsus famosos.

Conforme as produções de outros países iam se misturando no catálogo a disposição do leitor, os mangás foram ganhando mais e mais espaço, disputando grande fatia dos lucros resultantes de histórias em quadrinhos.

Hoje, usando o Brasil como base para estabelecer um ponto de vista, o mangá chegou em um ponto no qual muitos jovens preferem ler mangás a quadrinhos ocidentais, por terem estilos de desenho simples, ou roteiros que, ora abrem mão de sua complexidade para garantir mais espaço para as batalhas, ora preferem atentar o jovem em "mini-novelas" que podem acabar durando inúmeros capítulos, e de quebra ainda virar uma animação, que no japão ganha uma produção super bem trabalhada, em comparação com as animações de quadrinhos ocidentais que precisaram adotar o estilo dos animes para ganhar uma atenção maior dos jovens, já que os desenhos ocidentais raramente saem dos núcleos de animações infantis, mesmo abordando temas diferentes.

Então, né... como pode se notar, quadrinhos e mangás são a mesma coisa, assim como desenhos e animes. Não há exclusividade. Porém, com a força que o mangá ganhou, e o auxílio das redes sociais, nota-se que o público alvo do estilo dificilmente tem conhecimento da importância que o ocidente tem, e aí ocorre uma desmoralização que deixa a entender que, por ser popular, mangá/anime é superior. Longe disso. Ambos abordam temas que podem ser superficiais ou fortes, ambos tem grande alcance mundial e ambos fizeram e fazem rios de dinheiro enquanto digito.

Termina aqui essa matéria, antes que eu comece a encher ela de fillers.

Não conheci o outro mundo por querer!

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